Como iniciar um Plano de Desendividamento em 6 etapas?

Um Plano de Desendividamento é uma estratégia para recuperar a estabilidade financeira ou dar uma folga extra ao nosso orçamento.
Plano de Desendividamento

Uma situação de sobreendividamento ou endividamento excessivo pode ter as mais diversas origens. Um plano de desendividamento pode ser uma solução eficaz, ainda que a sua execução possa prolongar-se por um período alargado. A consistência e o compromisso são a chave.

Em Portugal, o período em que o endividamento das famílias atingiu níveis mais elevados foi durante a década de 2000, mais concretamente nos anos que antecederam a crise financeira global de 2008. Durante esse período, a facilidade no recurso ao crédito, nomeadamente, o crédito ao consumo, era uma realidade incontestável em Portugal.

As taxas de juro baixas, aliadas à confiança na estabilidade económica, incentivaram muitas famílias portuguesas a procurar financiamento bancário para a aquisição de habitação e de outros bens de consumo, o que originou um crescimento insustentável do seu nível de endividamento.

Nesta altura estará a pensar que um Plano de Desendividamento não é algo que procure ou necessite, porque não está numa situação de endividamento. Mas será exatamente assim?

 

O endividamento tem diferentes níveis, que estão associados à maior ou menor capacidade financeira para cumprir os compromissos financeiros e, consequentemente, ao maior ou menor risco de incumprimento. Veja a qual dos níveis associa a sua realidade financeira.

  • Nível 1 – Endividamento saudável: Neste nível, existem dívidas que não comprometem o orçamento. Por exemplo, valores em dívida associados a cartões de crédito de montantes muito reduzidos e com prazos de pagamento muito curtos.
  • Nível 2 – Endividamento moderado: Neste nível, o endividamento começa a aumentar, mas é possível cumprir os compromissos financeiros pontualmente, embora possa haver um esforço maior.
  • Nível 3 – Endividamento excessivo: Neste nível, os pagamentos mensais associados a créditos podem representar uma parcela considerável do orçamento, dificultando o cumprimento de outras obrigações financeiras. Começam a surgir dificuldades em pagar as dívidas dentro dos prazos previstos.
  • Nível  4 – Sobreendividamento: Neste nível, as dívidas tornam-se insustentáveis, podendo ocorrer atrasos nos pagamentos. As receitas sobrepõe-se aos encargos.

Em qualquer um destes cenários deve considerar um Plano de Desendividamento, mesmo que a sua situação financeira revele um nível de endividamento saudável ou moderado.

 

Mas qual a razão para alguém entrar numa situação de rutura financeira? Podemos apontar várias razões, como:

  • Encargos superiores às Receitas: Situação em que os gastos excedem a capacidade de pagamento. É comum a utilização dos descobertos ou o saldo autorizado do cartão de crédito para fazer pagamentos que, mais tarde não podem ser liquidados com recurso a capitais próprios;
  • Falta de planeamento financeiro: Um orçamento mensal bem estruturado e metas financeiras bem definidas, evitam situações de endividamento excessivo;
  • Inexistência de um Fundo de Emergência: Fazer face a situações imprevisíveis pode ser um verdadeiro desafio (por exemplo, em caso de desemprego, doença, divórcio,  acidentes, etc.).  O fundo ou reserva de emergência deve ser utilizada precisamente para dar resposta a estas situações. É importante separar esta reserva da conta corrente do dia-a-dia e aplicá-la num instrumento com elevada liquidez  que lhe possibilite o  acesso ao capital de forma quase imediata  (são exemplos as contas de depósito a prazo ou à ordem ou os certificados de aforro).
  • Uso inadequado do Crédito: Quando o crédito é utilizado de forma indiscriminada, sem considerar a nossa capacidade de pagamento presente e futura, podem gerar-se situações de sobreendividamento;
  • Pressões sociais:  O desejo de manter um padrão de vida elevado, seguir tendências de consumo ou satisfazer expectativas sociais pode levar a gastos excessivos em bens não essenciais.

Cada situação de sobreendividamento é única e pode ser influenciada por uma combinação de fatores. Identificar as causas específicas do endividamento excessivo é fundamental para tomar medidas adequadas.

Um Plano de Desendividamento é uma estratégia para recuperar a estabilidade financeira ou dar uma folga extra ao nosso orçamento. O objetivo principal de um plano de desendividamento é reduzir ou eliminar dívidas e criar um caminho para alcançar uma situação financeira saudável, permitindo-nos aumentar o nosso nível de poupança ou realizar investimentos que nos permitam gerar rentabilidade.

Por isso, como vê, um Plano de Desendividamento não se aplica apenas a situações de rutura financeira. No entanto, como é natural, assume um caráter absolutamente urgente nessas circunstâncias.  Pelo que, é crucial tomar medidas concretas para reverter a situação com a rapidez possível.

  • Primeiro passo: Avalie a sua situação financeira atual – identifique as dívidas existentes, quais os valores em dívida, as taxas de juro e prazos aplicáveis. Essa avaliação é essencial para compreender a extensão do endividamento e criar estratégias adequadas para enfrentá-lo;
  • Segundo passo: tente renegociar as dívidas com os seus credores – Entre em contacto com o banco,  instituição financeira ou um Intermediário de Crédito e tente negociar taxas de juro mais baixas. Considere alargar o prazo de amortização, mas lembre-se que a longo prazo pagará mais juros, por isso pondere a pertinência desta alteração. A consolidação de créditos, em alguns casos, pode ser uma solução interessante;
 
 
  • Terceiro Passo: tente renegociar as despesas essenciais – Não deixe de negociar os seguros que tem contratados (vida, multirriscos, automóvel, etc.), as depesas de telecomunicações, energia, etc. 
  • Quarto Passo: Reduza os gastos não essenciais –  É importante identificar áreas em que os gastos possam ser reduzidos ou totalmente eliminados, com o objetivo de libertar recursos para pagar as dívidas.  Ajuste o seu estilo de vida, cancele serviços e diga não a tudo o que não for essencial;
  • Quinto Passo: Aumente as suas receitas – Venda artigos usados, procure oportunidades de carreira que ofereçam maior remuneração, procure um part-time complementar à sua atividade princiapal (…);
  • Sexto Passo: Comece a Liquidar as suas dívidas – Canalize a poupança e as receitas adicionais que conseguiu gerar para a amortização das suas dívidas. É recomendado que dê prioridade ao pagamento das dívidas com a taxa de juro mais alta, o que lhe permitirá poupar no imediato, mas também a longo prazo. No entanto, deve analisar a sua situação em concreto, poderá concluir que esta regra não se aplica ao seu caso.
 
Ao iniciar o seu Plano de Desendividamento, defina metas claras e realistas para reduzir as dívidas, de forma gradual. A execução do seu plano vai exigir de si muita disciplina, compromisso e consistência! Lembre-se que pode fazer ajustes, se achar necessário, mas  concentre-se no seu objetivo essencial – eliminar as suas dívidas e recuperar (ou melhorar) a sua estabilidade financeira.

Não se esqueça dos benefícios que pode obter a longo prazo: melhorias significativas na sua saúde financeira, crescimento da sua poupança, aumentar os seu recursos financeiros para investimentos que gerem renda passiva e alcançar metas financeiras a longo prazo.

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Por Catarina S. Gonçalves, Gestora de Crédito

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Catarina Gonçalves

Especialista em Crédito Habitação

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